(27 Janeiro 2005)

És um falhado, um estúpido, uma besta quadrada
és menos que gente, menos que nada,
descuras as coisas que nos fazem viver
vives no teu mundo de ilusões e prazer
és um nojo, uma nódoa, não és ninguém,
desprezam-te família e amigos também
sempre soubeste que estás melhor sózinho
calado e quieto no teu cantinho
num sítio quente e escuro, como um forno,
onde sabes que não vales a ponta de um corno,
deixa-te aí ficar, no teu lugar isolado,
não fazes nem dizes nada acertado.
Sinistro personagem sem nada de enredo
ninguém te respeita, ninguém te tem medo,
não tens um propósito ou uma definição
és menos que a mosca na pôia de um cão
só choras em versos maus da tua cabeça,
sem rima, sem métrica nem nada que se pareça,
como o Peter Pan, nunca irás crescer,
juízo na cabeça ainda está para nascer
erros como tu não são para repetir
um homem-reticências que não vai evoluir
és nojo, trapo velho e anomalia
há muito que tamanha coisa parva não se via
não fales, não vejas, não dês nas vistas,
não tires o nariz de tuas revistas,
coisa tão inútil eu jamais vi,
reduz-te ao teu nada que não fazes falta aqui.
Posted on mardi 10 juin 2008 à 09:37 - 1 comment
(24 Janeiro 2005)

Tu, que passas
e me vês,
mas não me
observas,
que votas ao
esquecimento
e na memória
não conservas,
tu, que passas
sem parar,
e nada reténs
de mim,
dispensa-me do
teu tempo
um minuto,
ou coisa assim.
Dá-me ouvidos,
atenção,
não me deixes
aqui á míngua,
até parece que
nem sequer falamos
a mesma língua.
Não fujas, não te quero
mal, não tenho nada
de meu.
Posso não ser como
tu,
mas tu podes vir
a ser
eu.
Posted on vendredi 06 juin 2008 à 13:03 - 0 comment
(11 Janeiro 2005)

Dói-me o coração
de tanta facada
minh'alma entristece
nula e torturada
meus olhos no chão
livres de perigo
não vejo aqui e lá
nenhum amigo
só o animal cão
se compadece
e sente que a alegria
se me desvanece
eu olho-o de pé
a vista fixada
não é interesseiro
não me pede nada
não encara a vida
em seu próprio proveito
quer festas, conforto,
não dá desrespeito
tudo o mais na vida
são complicações
só comida, cama
e reproduções
é livre, feliz e
por isso o invejo
dorme em seu leito
como o rio Tejo.
Posted on vendredi 06 juin 2008 à 12:59 - 0 comment
(11 Janeiro 2005)

Odeio-vos a todos
sem ser represália
odeio o fado
(excepto o da Amália)
odeio o biscate
da oculista
não vale um caracol
nem um grão de alpista
odeio a mulher da cabeça e massada
só gosta de mim
se embebedada
odeio o grumete
que vive a meu lado
porque acho que estou
a ser enganado
odeio a cuzuda
do leite em pó
que será tia
antes de avó
odeio o crisdick
com tudo de seu
já teve na horta
mais legumes que eu
odeio todos
os portugueses
por não expulsarem
ciganos e chineses
odeio toda a gente
e também a ti
quero que sofram
o que eu já sofri.
Posted on vendredi 06 juin 2008 à 12:55 - 0 comment
(Novembro de 2004)

Monstro verde
macaco peludo
silhueta debaixo
da cama
porque corres
por esse mundo
sem proveito
mas com fama?
de que foges,
monstruosidade,
ser horrendo e
abominável?
para onde te chama
a estrada
longa, preta e
interminável?
para aquele lugar
lá longe
para lá das colinas
verdejantes,
onde tudo vive em paz
porque nunca ninguém
lá esteve antes.
foge, corre, sai daqui,
onde os sentidos
são incertos,
não páres até vir
a morte,
e acolhe-a de
braços abertos.
Posted on lundi 01 novembre 2004 à 13:12 - 0 comment
(Novembro de 2004)

Vou de viagem
amigos meus
muito me custa
dizer adeus
mas tenho d'ir
é chegada a hora
terei de partir
antes de agora
que ninguém impeça
esta minha empresa
não quero á janela
qualquer vela acesa
que ninguém implore
para eu ficar
que ninguém me chore
quando vos deixar
sigo o meu caminho
junto-me ao mito
a estrada chama-me
para o infinito
não olho para trás
quando zarpar
ninguém me vai ver
não mais vou voltar
o meu destino
não irei seguir
não me posso esconder
mas posso fugir.
Posted on lundi 01 novembre 2004 à 10:58 - 0 comment
(Novembro 2004)

I live in a world
all my own
where I am king
without a throne
a very big world
of my own creation
but I am not God
nor any relation
where everything goes
according to plan
where you can defeat
the evil man
a world with a sun
and stars in the sky
without lions, tigers
and bears, oh my !
Where everyone's friendly
and everything's new
with no grey areas
to escape to.
Everything's simple
either black or white,
no demons or rapists
in the night.
This is clearly not
the world of my birth
someday I'll have to
come back to Earth.
Posted on lundi 01 novembre 2004 à 09:06 - 0 comment
(Novembro 2004)

I live
I die
Don't even know why
No heart
No fist
No choice but to exist
No guts
No glory
No ending to my story
No chances
to take
No fate but what we make
No courage
No will
No hability or skill
No people
No fair
No nothing to compare
No talk
No joke
Anonimity like a cloak
No looks
No brain
Just a deep searing pain
No feelings
New and old
Just a deep searing cold
No flesh
No bone
Just leave me alone.
Posted on lundi 01 novembre 2004 à 05:19 - 0 comment
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